“Confesso que raríssimas vezes li algo tão breve e, ao mesmo tempo, tão cheio de conceitos bíblicos, piedade, beleza e profundidade. A fidelidade e simplicidade de Kuyper sempre me humilham e renovam.”
A doutrina da eleição é uma das mais conhecidas nos círculos reformados e, paradoxalmente, uma das menos sabidas. Essa aparente contradição se deve ao fato de que praticamente todos os reformados, incluindo batistas e presbiterianos, sabem que essa doutrina existe, enquanto poucos conhecem mais especificamente o seu significado. Por conseguinte, alguns querem transformá-la no cerne da revelação bíblica, partindo dessa doutrina – sem dúvidas, fundamental – para querelas indesejáveis, infindáveis e pouco ou nada edificantes. Outros, no extremo oposto, esquecendo-se deliberadamente de “que o Espírito não nos ensinou nada senão o que visa ao nosso interesse saber”, procuram ignorá-la, como que sendo “condescendentes com Deus”, por ele ter deixado “escapar” em sua revelação esse assunto. Agindo de um ou de outro modo, deixamos de usufruir dos “dulcíssimos frutos” guardados por Deus para nós, por meio do estudo humilde e reverente desse assunto tão precioso. Por isso, deixar de meditar e ensinar essa doutrina é um agravo ao homem e a Deus. A eleição eterna é o suprassumo da bem-aventurança de Deus que nos é outorgada (Sl 65:4). Em uma palavra, é graça. A doutrina da eleição eterna de Deus é o cerne do primoroso texto de Abraham Kuyper (1837-1920). Confesso que raríssimas vezes li algo tão breve e, ao mesmo tempo, tão cheio de conceitos bíblicos, piedade, beleza e profundidade. A fidelidade e simplicidade de Kuyper sempre me humilham e renovam.